sábado, 9 de maio de 2009

Inazuma Eleven chega a América Latina


Fonte: http://www.anmtv.com.br/

Mais um título pode chegar aos canais pagos e abertos do continente. Segundo o site TV Latina, a distribuidora Televix acaba de anunciar que detém os diretos do anime Inazuma Eleven (Onze Relâmpago), baseado em um conhecido jogo que mescla RPG com Futebol, lançado para o Nintendo DS, e um mangá publicado pela revista Corocoro Comics.
Sinopse: Endou Mamoru, é um goleiro muito talentoso e neto de um dos maiores goleiros do Japão, que morreu antes dele nascer. Mesmo que suas habilidades sejam incríveis, sua escola precisa de um verdadeiro time de futebol, mas isso logo muda quando um novo aluno chega a escola de Endou, fazendo com que o time tão sonhado, torne-se uma realidade.
A série de 78 episódios estreou em outubro do ano passado na TV Tokyo em horário nobre e graças a boa audiência, uma segunda temporada já está em andamento. Inazuma Eleven será oferecido a emissoras abertas e canas de TV por assinatura durante o L.A Screenings, evento anual que ocorre nos Estados Unidos, e reúne produtoras e canais de televisão do mundo inteiro.

Janela Indiscreta e o Voyeurismo de Hitchcock por Tiago Bacelar










Na nossa sociedade contemporânea, com reality shows como o Big Brother Brasil e programas sobre personagens do cinema e da TV, existe por parte do público um sentimento enorme pela vida alheia, pelo voyeurismo. É uma prática, em que um indivíduo não interage com o objeto de sua curiosidade e o observa a distância com o auxílio de binóculos, câmeras e teleobjetivas.
No cinema, o voyeurismo já foi explorado por Brian De Palma, nos anos 80, em Dublê de Corpo, por Michael Haneke, em Caché, e nos filmes do italiano Tinto Brass. Entretanto, foi o mestre do suspense, Alfred Hitchcock, que abordou o tema de forma mais relevante, em Janela Indiscreta (Rear Window), de 1954.
Hitchcock nasceu na região de Leytonston, em Essex (atual Londres), na Inglaterra, no dia 13 de agosto de 1899. Filho de um verdureiro, Hitchcock estudou na sua infância na tradicional escola católica Saint Ignatius College, seguidora dos pensamentos do jesuíta Inácio de Loyola. Após perder seu pai aos 14 anos, trabalhou com design gráfico de publicidade.
No começo dos anos 20, produziu muitos cartões de diálogos para filmes mudos da Paramount Pictures. De 1923 a 1925, Hitchcock trabalhou em Berlim, na Alemanha, como cenógrafo e assistente de direção nas produções da UFA (Universum Film AG), a mesma dos filmes expressionistas alemães “O Gabinete do Doutor Caligari”, de Robert Wiene, e “Metropolis”, de Fritz Lang.
Em 1925, a UFA promoveu Hitchcock para diretor no filme “O Jardim dos Prazeres”. Seu primeiro sucesso viria no ano seguinte com “O Inquilino”, um suspense inspirado nos crimes cometidos por Jack, o Estripador. Nesse filme, Hitchcock criou uma marca registrada sua, uma aparição em cada uma de suas produções.
Esse aspecto marcaria o desenhista Stan Lee, que tem aparecido nas adaptações para cinema de suas obras. Em Janela Indiscreta, Hitchcock aparece aos 26 minutos, ajustando o relógio do compositor, que mora no prédio em frente ao apartamento de Jeffries. Em 1926, Hitchcock casou-se Alma Reville, que trabalhava com ele como assistente de direção na Paramount.
Sua primeira filha, Patrícia, nasceria dois anos mais tarde. O som chegou ao cinema e Hitchcock mudou-se, em 1929, para a Inglaterra para ser pioneiro no primeiro filme sonoro de lá, “Chantagem e Confissão”. Em 1933 foi contratado pela Gaumont-British Picture Corporation para produzir “O Homem que sabia Demais”. Dois anos depois trouxe para o cinema, em “Degraus” o “Mcguffin”, um artefato que motiva os personagens e desenvolve uma história para prender o espectador. “Senhor dos Anéis” e “Indiana Jones” são exemplos de produções que usaram desse artifício de Hitchcock.
Depois de produzir “A Dama Oculta”, seu último filme inglês, Hitchcock vai para os Estados Unidos ganhar seu primeiro Oscar de melhor filme, por “Rebecca”, inspirado na obra de “Daphne Du Maurier”, tendo em seu elenco Laurence Olivier e Joan Fontaine. Nos anos 40, Hitchcock passa por vários gêneros: comédia (Um Casal do Barulho), noir (A Sombra de Uma Dúvida, filme em que usou sua experiência na UFA), e ficção (O Caso Paradine).
Com o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945, Hitchcock produziu “Quando Fala o Coração”, com Ingrid Bergman (Casablanca) e Gregory Peck. O filme recebeu indicações para melhor filme, melhor direção e melhor ator coadjuvante para Michael Chekhov. Nos bastidores, Hitchcock despertou a ira do produtor David Selznick ao usar obras de Salvador Dali para realçar cenas de confusão mental.
O próprio Selznick situações inusitadas como levar sua terapeuta para usar no filme suas “experiências” com psicanálise. A desavença gerou no rompimento dos dois. O resultado disso aconteceu em “Notorious”, com Cary Grant e Ingrid Bergman, que se tornou no primeiro filme dirigido e produzido por Hitchcock. Com Gregory Peck, Hitchcock fez sua primeira produção colorida, “O Caso Paradine”.
“Festim Diabólico” marcou a entrada nos filmes de Hitchcock, de James Stewart, protagonista de “Janela Indiscreta”. Stewart nasceu em 20 de maio de 1908, em Indiana, na Pensilvânia. Durante sua vida recebeu cinco indicações como melhor ator ao Oscar, tendo vencido em apenas uma ocasião, por “A História da Filadélfia (1941)”. Seu filme de estréia foi “Entre a Honra e a Lei”, de 1935. Stewart despontou como ator em “Senhor Smith vai para Washington (1939), de Frank Capra. Nesse filme, criou o papel que o marcaria em sua carreira, o idealista convicto.
Em 1941, foi para a Segunda Guerra Mundial como coronel da Força Aérea dos Estados Unidos. Seu filho Ronald Stewart, resultado de sua união matrimonial com a ex-modelo Glória Hatrick McLean, foi morto em 08 de junho de 1969 em combate na Guerra do Vietnã. James Maitland Stewart, o Jimmy, como era conhecido pelo público, faleceu no dia 02 de julho de 1997, tendo feito 58 filmes, seis participações para TV e 10 peças para a Broadway.
Estrelado por Ingrid Bergman e produzido em 1949, o filme “Sob o Signo de Capricórnio, de Hitchcock, foi um fiasco total. Isso em virtude do romance de Bergman com o diretor italiano Roberto Rossellini, um dos mais importantes cineastas do neo-realismo italiano e diretor do clássico Roma, Cidade Aberta, de 1945. Em 1951, Hitchcock se supera com “Pacto Sinistro”, considerado pelo vencedor do Prêmio Pulitzer e crítico de cinema, Roger Ebert, como “o melhor filme de todos os tempos”.
“Pacto Sinistro” foi baseado no livro de Patrícia Highsmith, escritora de “O Talentoso Ripley”, que foi adaptado por Anthony Minghella, em 1999, com Matt Damon (Gênio Indomável e Bourne), Jude Law (Cold Mountain), Cate Blanchett (Elizabeth e Senhor dos Anéis) e Gwyneth Paltrow, vencedora do Oscar de melhor atriz por seu papel em Shakespeare Apaixonado. “Pacto Sinistro” foi o primeiro filme de Hitchcock, distribuído pela Warner Brothers, e viria a ser inspiração para “Jogue a Mamãe no Trem”, de 1987, com Billy Crystal e Danny DeVito.
Em 1954, conheceríamos nos filmes de Hitchcock outra estrela de “Janela Indiscreta”, Grace Kelly. “Disque M para Matar” foi baseado na peça de Frederick Knotte e marcou a primeira utilização por parte de Hitchcock de efeitos de computação gráfica, em 3D. A diva dos filmes de Hitchcock, Grace Kelly, chegou ao mundo na Filadélfia, estado da Pensilvânia, em 12 de novembro de 1929.
Grace Kelly começou sua carreira cedo, com apenas 12 anos, estrelou uma peça chamada “Não Alimente os Animais”. Por ser péssima em matemática, não foi aceita pela Escola de Artes de Bennington e desistiu de atuar como atriz de teatro. Foi para Nova York estudar na Academia Americana de Artes Dramáticas, responsável pela formação de artistas como Lauren Bacall e Katharine Hepburn.
Em 1951, estreou para o cinema no filme “14 Horas”. No seguinte, fez par romântico com Gary Cooper, em “Matar ou Morrer”, produção que ganhou uma sátira das chanchadas produzidas no Brasil pela Atlântida, chamada de “Matar ou Correr”, estrelada por Oscarito e Grande Otelo. Em 1953, Grace Kelly foi caçar gorilas africanos com Clark Gable (E O Vento Levou) e Ava Gardner (The Night of the Iguana).
Ganhou o Oscar por Amar é sofrer como melhor atriz, atuando ao lado de Bing Crosby. Em 1955, por ironia do destino, no filme “Ladrão de Casaca”, de Alfred Hitchcock, Grace Kelly aparece na estrada em que morreria num acidente de carro 27 anos depois. Seu último filme foi “Alta Sociedade”, de 1956, em que atua com Bing Crosby e Frank Sinatra. No mesmo ano, casa-se com o príncipe Rainier III, e se torna a Princesa de Mônaco.
Teve três filhos: Caroline, Albert II e Stéphanie. No dia 14 de setembro de 1982, Grace Kelly morre de derrame cerebral num acidente de carro em Monte Carlo. Em sua homenagem, foi criada por sua filha mais velha, Caroline, a Fundação Grace Kelly com o objetivo de formar e ajudar talentos para o teatro e para o cinema. Seu filho Albert II é hoje o atual monarca do principado de Mônaco. Grace Kelly foi listada pelo Instituto de Cinema Norte-Americano como uma das 50 maiores lendas do cinema.
Em 1954, Alfred Hitchcock cria um dos seus maiores sucessos “Janela Indiscreta”, com 112 minutos de duração. Filmado em escala 1.66:1 com lentes anamórficas, o filme nos conta a história do fotógrafo profissional L. B. “Jeff” Jeffries (James Stewart), que se vê obrigado a ficar numa cadeira de rodas, em virtude de estar com uma perna quebrada. Por morar num conjunto residencial, cheio de apartamentos ao seu redor, Jeff fica obcecado pelos dramas privados dos seus vizinhos do outro lado do pátio e passa a observá-los com a sua teleobjetiva.
Quando suspeita que um vendedor do prédio da frente possa ter matado a esposa, ele pede ajuda a sua deslumbrante namorada Lisa (Grace Kelly), que sonha em casar com Jeff, a investigar uma cadeia de acontecimentos suspeitos. O roteiro de “Janela Indiscreta”, criado por John Michael Hayes, é baseado num conto de Cornell Woolrich, publicado originalmente em 1942, sob o título “It Had to be murder”.
O filme recebeu quatro indicações nas categorias de Melhor Fotografia (Robert Burks), Melhor Diretor, Melhor Trilha Sonora e Melhor Roteiro e ganhou três prêmios – Edgar Allan Poe Awards por melhor filme, National Board of Review por melhor atriz com Grace Kelly e New York Film Critics Circle Awards por melhor atriz com Grace Kelly. Em Janela Indiscreta, há uma hipertextualidade. Jeff seria uma representação do espectador, e as janelas dos apartamentos as seqüências de um filme, que são compreendidos por meio da montagem dos fragmentos visíveis.
Neste filme de Hitchcock existe também uma interatividade com o espectador, colocando-o como voyeur da vida do personagem “Lars Thorwald”, o assassino interpretado por Raymond Burr. Um exemplo claro disso é quando Lars confronta Jeff com a seguinte fala: “o que você quer de mim?”, jogando a pergunta para o espectador com um close-up em seu rosto.
Em outubro de 1984, o ator James Stewart veio ao Rio de Janeiro divulgar o relançamento de quatro filmes de Hitchcock, dentre eles, Janela Indiscreta. Em conversa com o crítico de cinema, Luiz Alípio de Barros, Stewart afirmou que Jeff era seu trabalho preferido, um personagem criado metade por ele e metade por Hitchcock. Para ele, Jeff é “uma figura de olhar sensível e atento e a um passo de uma vertigem visual. Um personagem que na tela age essencialmente como um ideal espectador de cinema. Perna quebrada, preso a uma cadeira, confinado num cenário escuro, meio acordado meio dormindo diante da janela, ele se comporta como um espectador de cinema”.
No cinema, o espectador se confunde com o personagem, se projeta em cena. Dessa forma, em Janela Indiscreta, Hitchcock criou um espelho perfeito: o espectador-personagem e o personagem-espectador, um mecanismo de perfeita relação do mundo diegético com o espectador do mundo real.
Para Stewart, “Jeff vê apenas o que aparece diante da janela. Alguma coisa se passa na rua, mas ele não vê. Alguma coisa se passa por trás da janela fechada do apartamento em frente, mas ele não vê. Alguma coisa se passa por trás da janela fechada do apartamento em frente, mas ele não vê. O que se passa então está fora de quadro. Ele adivinha, imagina estimulado por um detalhe, apanhado pelos olhos ou ouvidos aqui e ali. Soma os pedaços que vê, interpreta o que vê em busca de um significado, sonha uma ficção. Olho que pensa, age só com a cabeça”.
Quando o bandido do filme Thorwald sai da tela para atacar o espectador-personagem, Jeff quebra a mágica da projeção, acendendo a luz do flash de sua câmera. Vejamos como essa seqüência foi feita. Numa externa noturna, vemos Thorwald deixar seu apartamento e proceder para descer pelo corredor. Jeff diz para Coyne que Thorwald descobriu que está observado. Jeff desliga o telefone e se dirige a janela para olhar para o apartamento de Thorwald.
Jeff olha pela janela e fica um pouco confuso com o que ele vê. Entra um plano meio-longo no apartamento de Thorwald. Completamente escuro. Nenhum movimento, ou fumaça de cigarro. O corredor de fora do apartamento está com a luz acesa, mas vazio. Voltamos ao apartamento de Jeff em um plano médio. A porta. Silêncio no apartamento, e no corredor. Luz mostrada por debaixo da porta do corredor. Um close em Jeff, olhando, esperando, nervoso. Ele procura pelo telefone, mas muda de idéia. Ele olha ao redor por algum tipo de arma, encontra nenhuma que seja ideal.
Ele escuta barulhos e volta a ficar em frente da porta novamente. Plano Médio na porta. Outro barulho, passos cada vez mais rápidos, que em qualquer outro momento não teria nenhum significado, mesmo que pudesse ser escutado. Então, a luz embaixo da porta desaparece. Escuro. Close em Jeff que se afasta da porta, para e se afasta novamente. Plano médio na porta. Nenhuma dúvida sobre isso. Escuridão.
Em um close meio afastado, Jeff procura novamente por uma arma, e quase por instinto pega o flash de sua câmera e um pequeno pacote de baterias que ele tinha retirado para avisar Lisa anteriormente. Ele tenta mover sua cadeira de rodas mais para dentro possível das sombras. Seus olhos estão virados para a porta de seu apartamento, e seus sentidos estão em alerta como um cão de caça. Ele respira meio assustado.
Plano médio na porta. Só um mínimo som é escutado quando a maçaneta da porta vira. A porta abre de forma devagar e suave, mas o corredor está tão escuro para dizer quem está entrando. A porta fecha calmamente. Das sombras ressoa uma voz pesada. Uma voz ameaçadora. Thorwald pergunta: O que você quer de mim? Thorwald sobe para o topo da escada, e agora está de alguma forma visível.
Ele aparenta ser agressivo, alto e explosivo. Thorwald diz: Sua amiga – a garota – poderia ter me denunciado. Por ela não fez isso? Jeff não responde. Seus olhem assistem Thorwald. Jeff lambe seus lábios com a tensão nervosa e agarra o flash de sua câmera. Num Plano médio, Thorwald desce dois passos, para e diz: O que você quer? Muito dinheiro? Eu não tenho dinheiro.
Jeff não responde. Thorwald diz: Diga alguma coisa! E dar alguns passos para frente. Thorwald de repente aumenta seu tom de voz e diz: Diga alguma coisa! Diga-me o que você procura? Plano em close-up sob Jeff, que ainda não fala. Ele ergue seu flash um pouco mais, o ajeita como estivesse preparado para usá-lo. Meio close-up em Thorwald, que avançou até o meio da sala, concentra seus olhos sobre Jeff.
As mãos de Thorwald estão sendo controladas num esforço para controlar sua fúria. Thorwald diz: Você pode pegar para mim aquele anel de volta? Jeff responde sem se mexer: Não. Thorwald de forma agressiva: Diga a ele para trazer o anel de volta! E avança um passo. Jeff: Eu não posso. A Polícia tem isso agora.
Thorwald: Então, se a polícia me pegar, você não ficará por aí para rir de mim. E começa a se mover violentamente em direção a Jeff. Em um meio close-up, de um ângulo de três quartos à frente de Thorwald, Jeff ergue o flash até a altura de seu rosto e fecha seus olhos. Ele dispara o flash.
Close-up no rosto de Thorwald, que preenche a tela, registrando choque, confusão. Ele coloca suas mãos como proteção e se recupera, fazendo um involuntário som de surpresa. Em Plano mais Aberto, uma visão de Jeff e do apartamento como visto por Thorwald. Isso fica distorcido e fora de foco, repleto de largas bolas espiraladas de brilho amarelo. Close-up em Thorwald tentando recuperar sua visão.
Jeff retira em meio close-up a bateria usada e rapidamente coloca outra. Ele trabalha furiosamente. Quando o flash fica pronto, Thorwald já ameaça vir em sua direção. Jeff fecha seus olhos e outro disparo é feito no rosto de Thorwald. Em Close-up, em tela-cheia novamente, o rosto de Thorwald recolhe-se do flash. Em plano mais aberto, o apartamento é visto outra vez pela ótica de Thorwald com grandes e espiraladas esferas de um amarelo capaz de cegar.
Num plano médio, Thorwald direciona-se contra a mesa, jogando objetos no chão, buscando por balanço e visão. Jeff trabalha rapidamente para colocar uma nova bateria no flash. Em meio close, Thorwald recupera seu equilíbrio e um pouco de sua visão. Dessa vez, quando o flash dispara, nós vemos isso da visão de Jeff. Thorwald está quase branco, chocado, revelando cada detalhe de seu rosto, roupas e mãos.
Sua raiva e frustração estão fixadas por um breve, mas terrível momento. Ele recolhe-se novamente, tentando se livrar da luz em seu rosto quase como se isso fosse uma substância sólida. Em meio close, Jeff ejeta uma bateria e coloca a última no seu flash. Ele tenta mover a cadeira de roda mais distante de Thorwald.
Ele dispara o flash novamente. Ao fundo, nós vemos: Coyne, Lisa, Stella e os detetives chegam à porta do apartamento de Thorwald. Tentam abri-la. Fechada. Um dos homens consegue abrir a fechadura. Os detetives entram rapidamente no apartamento fechado. Coyne acende as luzes da cozinha. O grupo vai para a sala. As luzes são acesas. Nenhum sinal de Thorwald. Coyne, Lisa e Stella instintivamente viram-se e olham em direção ao apartamento de Jeff.
Em plano médio, do apartamento de Thorwald, a câmera viaja até a janela de Jeff. Uma repentina luz é vista e a última bateria do flash se esgota. E isso ilumina a cena de Jeff na cadeira de rodas e Thorwald na frente dele. A escuridão aparece mais sombria que antes. Em outro plano médio, Thorwald finalmente alcança Jeff, tirando o flash das mãos. Ele aparentemente está tentando derrubar Jeff da cadeira de rodas.
Jeff tenta lutar com ele. A cadeira de rodas cai, jogando Jeff ao chão. Thorwald está em cima dele, pegando, puxando ele para a janela. Jeff tenta de todas as formas fazer o que ele pode para se manter longe da janela, mas Thorwald é muito mais forte que ele. Jeff é colocado no parapeito da janela por Thorwald, que diz: Eu darei a você uma boa visão da janela. Devagar, ele empurra Jeff em direção a janela, que tenta se segurar com os braços. Thorwald ergue o resto do corpo de Jeff para jogá-lo.
Em plano médio, voltamos novamente para Coyne, Lisa, Stella e os dois detetives, que vêem Jeff saindo da janela. Lisa entra em pânico e grita: Jeff! Jeff! Entra um plano médio longo do ponto de visão de Coyne, em que Jeff ultrapassa a janela, fica pendurado e Thorwald começa a bater em suas mãos e braços. Coyne puxa Lisa e começam a descer pela parede, seguidas pelos dois detetives.
Em plano médio, Thorwald luta para derrubar Jeff. Close de cima para baixo, focalizando o rosto de Jeff, mostrando sua persistência e o sofrimento do ataque de Thorwald. O chão do pátio parece estar a 100 pés abaixo. Em Plano médio Thorwald e Jeff lutando. Em meio Close, Coyne pula da parede. Lisa, Stella e os dois homens abaixo, observando. Lisa está pálida e assustada.
Em plano médio Thorwald pressiona as mãos e braços de Jeff, que começa a se soltar da janela. Em meio close Coyne alcança o prédio de Jeff e olha para cima em direção a ele. Em plano médio longo Jeff, visto do ângulo de visão de Coyne, tenta de alguma forma suportar o insano ataque de Thorwald. Num plano em meio close, Coyne procura por seu revólver de serviço. Ele não está com ele. Coyne vira e chama por um dos detetives. Creel! Seu Trinta e Oito!
Em meio close, olhando nos dois detetives, do ponto de visão de Doyle, Creel pega seu revólver e o joga. Em meio close novamente, Coyne pega o revólver e se dirige para o apartamento de Jeff. Para ver o final dessa história, recomendo assistir ao filme. Segundo James Stewart, “Hitchcock traduz em Jeff o processo, o meio sensível, a fotografia ou a possibilidade de montar imagens tal como nos ensina o cinema, com a incorporação do fora do quadro, é que nos permite ver o que se esconde dos olhos”.
“Janela Indiscreta” prende a atenção do espectador, através de sua narrativa, de sua brincadeira com a condição do espectador de cinema com o olhar e com o modo de ver. O filme possui mais de 1000 planos descontínuos, compostos na montagem como uma coisa só, e é esta estrutura que dá coesão a história contada.
O set de filmagem de “Janela Indiscreta” foi o maior já construído, na época pela Paramount Pictures, tendo sido baseado num quarteirão real de Nova York. As filmagens foram feitas do ponto de vista do apartamento de Jeff, prova disto foi o fato de Hitchcock ter dirigido somente lá. Quando havia gravações nos apartamentos da frente, os atores se comunicavam com Hitchcock por fones de ouvido.
Em 1998, “Janela Indiscreta” ganhou um remake, dirigido por Jeff Bleckner, com Christopher Reeve (Super Homem), Daryl Hannah e Robert Forster. Para Hitchcock, em entrevista para Truffaut, “quando a pessoa que interpreta é tão simpática quanto seu personagem, a emoção do espectador duplica. É o caso da Lisa, de Grace Kelly, em Janela Indiscreta. Na estréia do filme, estava sentado ao lado da mulher do ator Joseph Cotten (Cidadão Kane). Quando Grace Kelly se encontra na casa do assassino e ele aparece no corredor, a mulher de Cotten estava tão inquieta que se para seu marido e disse: Faz algo, faz algo”.
Truffaut considera interessante a neutralidade que Hitchcock espera do ator principal. Para ele, em “Janela Indiscreta”, o ator James Stewart “não tem que expressar nada, simplesmente lança três ou quatro olhares e logo ele nos mostra o que vê”. Para Hitchcock, no outro lado do pátio, há “todo tipo de conduta humana, um pequeno catálogo dos comportamentos. Era absolutamente necessário fazê-lo, pois, caso contrário o filme não teria tido interesse. O que se vê naqueles apartamentos, é uma quantidade de pequenas histórias, é o espelho de um pequeno mundo”.
“Janela Indiscreta” aborda também a questão do amor. James Stewart não tem muita vontade de se casar com Grace Kelly e nos apartamentos da frente encontramos: o problema do amor e do matrimônio: estão lá à mulher solitária; sem marido nem amante; os jovens casados que praticam o amor todo dia; o músico solteiro; a bailarina que os homens desejam; a mulher sem filhos ligada pelo afeto a seu animal de estimação; e a mulher casada com problemas com o marido e termina por ser morta.
A trilha composta por Franz Waxman termina por influenciar a narrativa de “Janela Indiscreta” em dois momentos: quando o compositor termina sua música, a mulher solitária desiste do suicídio, e no mesmo momento, James Stewart compreende que gosta realmente de Grace Kelly. Seguindo a lógica da narrativa de Sdy Field em três atos (Exposição, conflito e resolução), Hitchcock mostra-nos um primeiro ato de forma bem diferente da tradicional.
Somos apresentados aos personagens da seguinte forma: a câmera passeia pelo pátio adormecido e vai se recolher no rosto de James Stewart. Segue até uma mesa na qual se vê equipamentos fotográficos e um monte de revistas. Na parede, se vêem fotos de carros de corrida em plena ação. Neste primeiro e único movimento de câmera, sabemos onde estamos; quem é o personagem; qual sua profissão e o que aconteceu. Da mesma forma, Grace Kelly é apresentada com James Stewart sozinho em sua casa. Em seguida, subitamente entra em quadro o rosto de Grace Kelly e começa os beijos.
Na cena, que Grace Kelly entra no apartamento do criminoso e encontra a aliança da vítima. Ela coloca a aliança no dedo e mostra para James Stewart. Para Grace Kelly é como uma vitória dupla. Ela teve êxito na sua investigação e conseguirá se casar com ele, pois já tem o “anel no dedo”. “Janela Indiscreta” é citado em “O Homem que Copiava”, aonde encontramos Sílvia (Leandra Leal), vizinha de André (Lázaro Ramos), cuja paixão por ela é puro voyeurismo praticado pelo protagonista. Amor, morte, culpa, humor, terror e, logicamente, suspense foram o cardápio que Hitchcock servia de maneira genial, mesmo nos piores momentos da sua obra e da sua vida.
Prendia-se a detalhes de seus filmes. Impecável, Hitchcock sabia a quantos graus deveria virar a câmera, qual o movimento da câmera, tudo com suas perfeições. Em 1956, Hitchcock fez um remake de “O Homem que Sabia Demais (1934)”, considerada por ele como melhor que a original. No filme estrelado por James Stewart, Doris Day canta a música “Que Será, Será”.
Depois, viria a produzir “Um Corpo que cai (1958)”, “Intriga Internacional (1959)”, “Psicose (1960, filme famoso pela cena que Janet Leigh é assassinada a facadas)”, “Os Pássaros (1963)”, “Topázio (1969)” e “Frenesi (1972)”. Seu último filme foi “Trama Macabra” com Karen Black e Bruce Dern. Morreu em 1980, de insuficiência renal, em sua casa em Los Angeles. No Brasil, Hitchcock recebeu uma homenagem feita por Maurício de Souza, que o Bidu interpretava filmes famosos do diretor. Foi marcado por nunca ter recebido em vida o Oscar de melhor de diretor.


quarta-feira, 6 de maio de 2009

COLISEU APRESENTA “O VELHO CINEMA NOVO: RE-VISÕES”

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Bahia de Todos os Santos
Mostra reúne 16 filmes e 11 diretores-chave do movimento cinemanovista

O Cineclube Coliseu do Sesc-Casa Amarela apresenta durante todo o mês de maio a Mostra “O Velho Cinema Novo: Revisões”, com curadoria do jornalista Rodrigo Dourado, que passa em revista 13 títulos fundamentais desse importante movimento brasileiro, dos precursores aos rebentos tardios, assinados por 11 diretores-chave para compreender a escola estética e política do Cinema Novo, como Leo Hirszman, Trigueirinho Neto, Paulo Cézar Sarraceni, Luís Sérgio Person, Roberto Santos e Joaquim Pedro de Andrade, entre outros. Além disso, serão exibidos três curtas documentais que investigam a figura mítica de Glauber Rocha.
As sessões acontecem às sextas (19h) e sábados (14h). Aos sábados, os debates serão encaminhados pelo jornalista e professor da Unicap Alexandre Figueirôa (dia 09), pelo escritor e cineasta Jomard Muniz de Britto (dia 16) e pelo crítico de cinema Celso Marconi (dia 23).
Nesta primeira semana da Mostra (Sexta e Sábado, 08 e 09) serão exibidos, entre outros, “Pedreira de São Diogo” (Leo Hirszman), integrante do documentário “Cinco Vezes Favela”, produzido pelo CPC da UNE em 1962 e considerado fundamental para a instalação do Cinema Novo; “Bahia de Todos os Santos” (Trigueirinho Neto), retrato dos desenganos da juventude baiana do início dos anos 60, que exerceu influência decisiva sobre Glauber; e “Aruanda” (Linduarte Noronha), cuja fotografia do pernambucano Rucker Vieira marcaria toda a estética cinemanovista.
O acesso às sessões é gratuito. O Cine Sesc fica no Sesc Casa Amarela: Avenida Professor José dos Anjos, 1109, Casa Amarela, Recife. (Entrada pela Avenida Norte).
Informações: (81) 3267 4410 / 3267 4400 / rdourado@sescpe.com.br
Confira abaixo a programação completa da Mostra, informações sobre os filmes em exibição nesta primeira semana e alguns ensaios críticos:
O Velho Cinema Novo: Re-Visões
Dia 08 (Sexta-feira)
19h – “Pedreira de São Diogo” (Leo Hirszman, 1962, 18min) + “Bahia de Todos os Santos” (Trigueirinho Neto, 1960, 102min)
Dia 09 (Sábado)
14h –“Aruanda” (Linduarte Noronha, 1960, 22min) + “Arraial do Cabo” (Paulo Cézar Sarraceni e Mário Carneiro, 1959, 17min) + “Porto das caixas” (Paulo Cézar Sarraceni, 1962, 75min)
Debatedor: Alexandre Figueirôa
Dia 15 (Sexta)
19h – “A velha a fiar” (Humberto Mauro, 1964, 6min) + “São Paulo S.A” (Luís Sérgio Person, 1965, 107min)
Dia 16 (Sábado)
14h – “Abry” (Joel Pizzini e Paloma Rocha, 2003, 30min) + “A voz do morto” (Sérgio Zeigler e Vitor Ângelo, 1993, 13min) + “A degola fatal” (Clóvis Molinari e Ricardo Favilla, 2004, 13min)
15h – “Amazonas, Amazonas” (Glauber Rocha, 1966, 15min) + “Deus e o Diabo na terra do sol” (Glauber Rocha, 1964, 125min) 
Debatedor: Jomard Muniz de Britto
Dia 22 (Sexta)
19h – “A João Guimarães Rosa” (Roberto Santos, 1968, 13 min) + “Bebel, garota propaganda” (Maurie Capovilla, 1967, 103min)
Dia 23 (Sábado)
14h – “Brasília, contradições de uma cidade nova” (Joaquim Pedro de Andrade, 1967, 23 min) + “Macunaíma” (Joaquim Pedro de Andrade, 1969, 105min) 
Debatedor: Celso Marconi
I Semana
Sexta-feira (08.05)
Pedreira de São Diogo (Leo Hirszman, 1962, 18min, PB)
Produzido pelo CPC - Centro Popular de Cultura da União Nacional dos Estudantes. Integrante da série “Cinco Vezes Favela”, tida como fundamental para a instalação do movimento do Cinema Novo. No Rio de Janeiro, sobre uma pedreira há uma favela. Ao perceberem o risco de desabamento dos barracos, em conseqüência das explosões de dinamite, os operários incitam os moradores a iniciar movimento de resistência para impedir um acidente fatal.
Bahia de Todos os Santos (Trigueirinho Neto, 1960, 98min, PB)
A trama gira em torno de um grupo de amigos inconformados com o marasmo e a vida monótona da capital baiana, na época da ditadura de Getúlio Vargas. Tonho, um mulato rejeitado pelos pais que vive de pequenos furtos no porto de Salvador, vive conflitos sociais, políticos e religiosos. Sua amante inglesa quer afastá-lo dos companheiros, mas ele se envolve num atrito entre grevistas e a polícia, terminando por roubar a amante para ajudar os perseguidos. Insatisfeita, ela o denuncia, comprometendo-o politicamente. Ele é preso e, quando volta para a família, seu drama permanece.
Sábado (09.05)
Aruanda (Linduarte Noronha, 1960, 22min)
A história de um quilombo, formado em meados do século XIX, por escravos libertos no sertão da Paraíba. O filme, da mesma época da inauguração de Brasília, mostra uma pequena população, isolada das instituições do país, presa a um ciclo econômico trágico e sem perspectivas, variando do plantio de algodão à cerâmica primitiva. O curta é considerado um dos precursores do Cinema Novo.
Arraial do Cabo (Paulo Cézar Sarraceni e Mário Carneiro, 1959, 17min)
Com fotografia deslumbrante de Mário Carneiro, que co-dirige o filme, e texto do jornalista Claudio Mello Souza, o documentário mostra as transformações sociais e as interferências nas formas primitivas de vida de pescadores do vilarejo de Arraial do Cabo, no litoral do Estado do Rio de Janeiro. A Fábrica Nacional de Álcalis, que se instalou no local, causa a morte dos peixes, o que faz com que muitos integrantes da comunidade partam em busca de trabalho. Os modos tradicionais de produção se chocam com os problemas da industrialização. Gravuras de Oswaldo Goeldi abrem o filme.
Porto das caixas (Paulo Cézar Sarraceni, 1962, 75min)
Uma mulher, querendo matar o marido que a oprime, procura ajuda de seu amante, de um soldado e de um barbeiro, mas eles se negam a cometer o crime. A cidade do interior onde moram revela a decadência: uma fábrica parada, um convento em ruínas, o barulho de trem, um vazio parque de diversões, uma feira sem entusiasmo, um comício sem força reivindicatória. Disposta a libertar-se do meio, a mulher decide colocar seu plano em prática sozinha.
RETRATOS DA DIVERSIDADE (Lúcio Flávio)
Realizado em meados dos anos 1950 - mas só lançado em 1961 -, Bahia de Todos os Santos, de Trigueirinho Neto, foi, pode-se dizer, um dos precursores do Cinema Novo, emergindo como uma semente da corrente que sacudiu a cena cinematográfica na década de 1960. 
Aparentemente a trama é de uma simplicidade gritante. Gira em torno de um grupo de amigos inconformados com o marasmo e a vida monótona da capital baiana - que é passada a limpo, logo na abertura, num belíssimo plano-sequência que capta alguns signos da região, como o dia-a-dia dos pescadores e seus barcos à vela navegando sob um céu carregado, o mar aberto com suas ondas hipnotizantes, ou pelo sincretismo religioso que banha essa "Bahia de todos os santos". 
Conflitos sociais estes desafogados pelas pessoas simples do local em casas noturnas, norteadas, claro, pelos prazeres da vida como a bebida, a música do momento e o sexo. "Todo mundo quer sair daqui! Vou me embora para São Paulo", revolta-se, em dado momento da história, o personagem de Antônio Pitanga, irreconhecível em suas feições joviais. "Para mudar de cidade precisa de protetor, um pistoleiro", retruca um outro. 
Mas é justamente diante deste clima de inércia que se encontram os personagens malditos de Bahia de Todos os Santos, mergulhado, nas entrelinhas, dentro de um turbilhão semiótico construído pelo roteiro de Trigueirinho. Entre eles o permanente conflito entre religião e política, autoritarismo e submissão social, burguesia e miséria. E não apenas isso: estão presentes temas bastante espinhentos para época - como comunismo, greve, sindicalismo, adultério e racismo. Tudo abordado de forma direta e incisiva. De um pragmatismo que assusta. "Não é preciso saber ler para cumprir o decreto do presidente", diz um dos milicos à uma mãe-de-santo, em represália ao candomblé e suas manifestações exaltadoras. A passagem, aliás, denuncia objetivamente a precária condição da educação no Brasil daqueles longínquos anos 1950. Um problema que, como constatamos, diante da atual realidade, atávico. 
Pensado como um projeto dividido em cinco episódios - com um deles dirigido pelo então jovem Glauber Rocha -, Bahia de Todos os Santos (mas tarde apropriado pelo paulista Trigueirinho), é um retrato pungente de uma região marcada por suas contradições culturais e religiosas, por sua diversidade social. 
Não é de se estranhar que o filme, pertencente ao fenômeno baiano que assaltou os cinco primeiros anos da década de 1960 do cinema brasileiro, tenha influenciado projetos futuros com sua apurada estética antropológica. Talvez a referência mais imediata, mais próxima, esteja no seminal Barravento, primeiro longa-metragem dirigido por Glauber Rocha, em 1962. Embora mais focado na questão do misticismo e suas contradições, a obra glauberiana mantém o discurso socialista que permeia Bahia de Todos os Santos, que viria a ser o único trabalho dirigido por Trigueirinho. Pouco depois de realizar o filme o roteirista, diretor e produtor paulista abandonaria a sétima arte para torna-se líder espiritual com mais de 70 livros publicados.
UM CINEMA VOLTADO PARA O HUMANO (Marcelo Miranda)
Algumas das principais e mais básicas características do cinema moderno são o desapego a uma narrativa contínua de causa e conseqüência e a presença do ambiente ou espaço como deflagrador das ações das personagens. No caso de Pôrto das caixas, primeiro longa-metragem de Paulo César Saraceni, esses dois elementos estão fortemente presentes a cada cena, a cada plano do filme. Apesar de o enredo funcionar com acúmulo de situações (mulher vai sendo maltratada pelo marido até não agüentar mais e decidir livrar- se dele), importa menos a Saraceni como sua protagonista vai conseguir resolver a situação do que o envolvimento e a interação dela com tudo que está ao seu redor.
Pôrto das caixas foi lançado em 1962 e serve como estopim do Cinema Novo, movimento que já surgia forte e iria explodir no ano seguinte, com a trinca Vidas secas, Os fuzis e Deus e o diabo na terra do sol. Porém, diferente destes três, Pôrto das caixas focava o ambiente urbano e retratava de maneira direta, sem maiores cargas de simbolismo, as angústias de pessoas à margem dos grandes centros e das possibilidades de ascensão. A personagem principal, interpretada com grande expressividade por Irma Álvarez, é reflexo disso: dona de casa submissa, ela tenta, por meio do forte poder de sedução, fugir do aparente determinismo no qual está enjaulada. 
No caminho, ela se insinua a vários homens, conspira contra o marido, movimenta-se pelo espaço onde vive, nas redondezas de uma estação de trem que parece servir de principal fonte de renda da região. Saraceni mistura ficção com um tom realista marcante, em especial ao se fixar no rosto de pessoas comuns, prováveis moradores incorporados à própria realidade criada pelo diretor. É o típico cinema que coloca a câmera nas ruas, em contato com o povo e, dali, ilustra sua própria temática. A fotografia e os enquadramentos de Mario Carneiro, junto à trilha sonora de Tom Jobim, colaboram para o tom melancólico e triste que perpassa todo o filme.
Triste, sim, mas jamais piedoso. Saraceni não demonstra compactuar com sua protagonista. Ainda que o andamento do filme pareça dar razão a ela por querer desaparecer com o marido violento, a construção tanto da mulher quanto do homem guarda ambigüidades que evitam o maniqueísmo. Ele é machista e duro, mas esconde nos olhos e nos gestos a fraqueza de não saber viver sem a esposa; ela é carente e sofrida, mas não perde a oportunidade de tentar cooptar qualquer um para dar cabo do marido e, quando nenhuma de suas investidas dá certo, ela própria toma o controle da situação e, conseqüentemente, de seu destino. O caminhar pelos trilhos do trem (os mesmos trilhos que levaram o marido) é outro instante do filme em que a personagem surge impregnada pelo ambiente onde habita. No caso, pela neblina que toma o espaço e parece representar a incerteza dos tempos que se abrem aos seus olhos ou mais além: ao seu corpo e sua mente.
*Marcelo Miranda: crítico de cinema dos sites Digestivo Cultural, Cinequanon e Filmes Polvo e repórter de Cultura do jornal O Tempo (Belo Horizonte).
RUCKER VIEIRA (Alexandre Figueirôa)
Rucker Vieira entrou para a história do cinema brasileiro por ter feito, em 1960, a fotografia de Aruanda. Esse documentário, dirigido por Linduarte Noronha, é considerado o filme que inspirou o modelo estético do Cinema Novo. Glauber Rocha e outros realizadores dos anos 60, críticos e historiadores foram unânimes em afirmar que a luz crua de Rucker Vieira vista também em trabalhos como Cajueiro Nordestino (1962, direção de Linduarte Noronha) e A cabra na região semi-árida (1962, esse com direção do próprio Rucker Vieira) influenciaram diretamente as concepções visuais que nortearam o movimento. 
Nos anos 70, Vieira continuou sua carreira fotografando curtas de Fernando Monteiro, Fernando Spencer e alguns filmes em super 8 de Jomard Muniz de Britto. Foi cinegrafista da TV Universitária e da Fundação Joaquim Nabuco e depois dedicou-se a realização de filmes e vídeos institucionais. Aos poucos, porém foi sendo esquecido e apenas o jornalista e cineasta Amin Stepple realizou, no início dos anos 90, um vídeo sobre ele. Nos últimos anos Rucker Vieira foi morar em Roraima e morreu no início de 2001 sem que o fato tenha sido registrado ao menos nos jornais locais. 
ARTESÃO DA IMAGEM
Fiquemos certos de que Aruanda quis ser verdade antes de ser narrativa: a linguagem como linguagem nasce do real, é o real, como em Arraial do Cabo. [Linduarte] Noronha e [Rucker] Vieira entram na imagem viva, na montagem descontínua, no filme academicamente incompleto. Aruanda inaugura assim o documentário brasileiro. [...] Os dois cineastas podem realizar um trabalho inestimável no levantamento visual socioantropológico do Nordeste. E para isso não é importante ter apenas uma câmera: é necessário o senso de cinema natural em [Linduarte] Noronha e [Rucker] Vieira; a cultura-método-humildade-coragem artística de Linduarte Noronha; a modernidade da luz do fotógrafo Rucker Vieira, inimigo dos crepúsculos à Figueroa, dos filtros sofisticados: sua luz é dura, crua, sem refletores e rebatedores, princípios da moderna escola de fotografia cinematográfica do Brasil. 
Glauber Rocha. 
In: Revisão Crítica do Cinema Brasileiro.
E Rucker, que embora soubesse os procedimentos da arte fotográfica e cinematográfica, fez Aruanda da maneira mais apropriada e sensível, o mais parecido possível com seu objeto de estudo, seu objeto de enfoque, que era a própria rusticidade, que era a própria aridez do meio e do produto cultural - a cerâmica ou o cultivo do algodão. [...] Eu falo justamente dessa fotografia, desta luz que vem rasgando, daí a palavra rascante tantas vezes usada, que vem se assemelhar em muito à gravura popular. O que é preto é preto, o que é branco, é branco, não tem matizes, isso virou um estilo, não existia antes. Aruanda rompeu e inaugurou um estilo de fotografar no Nordeste. 
Vladimir Carvalho.

Saiba mais sobre o dramaturgo Augusto Boal


Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u559593.shtml

O dramaturgo, diretor teatral e ensaísta Augusto Pinto Boal nasceu em 16 de março de 1931 no Rio de Janeiro. 
Um dos nomes mais importantes do teatro brasileiro, Boal foi um dos principais líderes do Teatro de Arena de São Paulo nos anos 60 e foi o criador do teatro do oprimido, metodologia que reúne teatro a ação social. 
Formado em química na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em 1950, ele viajou para Nova York para estudar teatro na Universidade de Columbia.
Ao retornar ao Brasil, passou a integrar o Teatro de Arena de São Paulo, dividindo a direção com José Renato. 
Na companhia, ele adaptou o método de Stanislavski à realidade brasileira e ao teatro de arena, além de influenciar o grupo na defesa da ideologia de esquerda. 
Sua estreia na direção no Teatro de Arena com "Ratos e Homens", de John Steinbeck, lhe rendeu o prêmio de diretor revelação pela Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA), em 1956. 
Na sua parceria com o Oficina, resultou a adaptação de "A Engrenagem", de Jean-Paul Sartre, concluída por ele e José Celso Martinez, em 1960. 
Boal se tornou neste mesmo ano um dos grandes dramaturgos brasileiros com "Revolução na América do Sul", com direção de José Renato. 
Em 1962, com a saída de José Renato, ele virou o principal nome do Arena, encenando "A Mandrágora," de Maquiavel, e "O Noviço", de Martins Pena. 
Outro marco em sua carreira foi "Um Bonde Chamado Desejo", de Tennessee Williams, nova colaboração com o Oficina. 
Durante a ditadura, Boal dirigiu o show Opinião, com Zé Kéti, João do Vale e Nara Leão (depois substituída por Maria Bethânia), no Rio de Janeiro. O evento passou a influenciar a cena artística brasileira do período e lançou a semente para o nascimento do Grupo Opinião. 
No mesmo período, Boal chegou a ser preso e torturado. Ele, então, foi para o exílio, e retornou para o país em 1984. No ano seguinte, dirigiu o musical "O Corsário do Rei", com músicas de Edu Lobo e letras de Chico Buarque. 
Teórico 
Em seu trabalho como teórico teatral, Boa escreveu títulos como "O Teatro do Oprimido e Outras Políticas Poéticas", "Exercícios para Ator e o Não-Ator com Vontade de Dizer Algo através do Teatro" e "Jogos para Atores e Não Atores". 
Sua atuação na cena teatral fez com que a Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura) o nomeasse Embaixador Mundial do Teatro pela Unesco em março deste ano.

Morre dramaturgo Augusto Boal, aos 78 anos, no Rio


Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u559576.shtml

O diretor de teatro, dramaturgo e ensaísta Augusto Boal morreu na madrugada do último sábado (02) no Hospital Samaritano, do Rio de Janeiro. Ele tinha 78 anos.
Boal sofreu uma insuficiência respiratória às 2h40 de hoje. 
Segundo a assessoria do hospital, ele estava internado desde o dia 28 de abril. 
O corpo foi removido da instituição às 16h deste sábado. 
Boal nasceu no dia 16 de março de 1931, no Rio de Janeiro. 
Fundador do Teatro do Oprimido, ele também ficou conhecido por sua participação no Teatro de Arena da cidade de São Paulo (1956 a 1970).

Estreia de Scarlett Johansson na direção é cortada de filme


Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u559563.shtml

A estreia da atriz Scarlett Johansson, 24, na direção foi cortada da versão final do filme "New York, I Love You", formado por uma série de curtas-metragens que têm a cidade como locação.
Segundo o "New York Post", o trabalho de Johansson foi rejeitado pelos produtores por ser "conceitual" demais em relação ao resto dos segmentos românticos, que foram dirigidos por diretores diferentes. 
"A história não envolvia necessariamente um relacionamento, e foi idealizado para ser em preto e branco, duas características que se afastam bastante do resto dos outros segmentos", disse o produtor Emmanuel Benbihy. 
Benbihy ainda afirmou que o curta da atriz de "Vicky Cristina Barcelona" era uma narrativa "emocionante e não convencional", e que não se harmonizaria com o resto da obra. 
"New York, I Love You" também conta com um segmento dirigido pela atriz Natalie Portman. 
O filme deve chegar aos cinemas americanos ainda neste ano.

Minhas Adoráveis Ex-namoradas estréia dia 12 de junho nos Cinemas Brasileiros








Gênero: Comédia Romântica
Distribuidora: PlayArte
Diretor: Mark Waters
Elenco: Jennifer Garner , Matthew McConaughey , Michael Douglas
FICHA ARTÍSTICA
Conor Mead . . . . . . . . . . . . . . . . . . .MATTHEW McCONAUGHEY
Jenny Perotti . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .JENNIFER GARNER
Paul . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .BRECKIN MEYER
Tio Wayne . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .MICHAEL DOUGLAS
FICHA TÉCNICA
Diretor . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .MARK WATERS
Roteiristas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .JON LUCAS, SCOTT MOORE
Produtores . . . . . . . . . . . . . . . . .JON SHESTACK, BRAD EPSTEIN
2009 - EUA - 101 MIN. – SCOPE – SR-SRD-SDDS-DTS
Um conquistador nato pode viver um grande amor?
Conor Mead (Matthew McConaughey) é um sucesso em todos os aspectos: tem dinheiro, um excelente trabalho e mulheres. Muitas mulheres. Ele é um fotógrafo de celebridades que vive para se divertir e namorar. Um solteirão convicto, que acumula relacionamentos relâmpagos, sai com várias mulheres ao mesmo tempo e até termina seus casos em chamadas de conferência.
Definitivamente, um homem que não entende como um relacionamento pode durar e não acredita que perder a liberdade seja motivo para celebrações. Por isso, é totalmente contra casamentos. E é justamente quando seu irmão mais novo Paul (Breckin Meyer) vai se casar que a vida de Conor começa a sofrer estranhas mudanças.
Em meio ao tumulto do dia do casamento, ele reencontra uma antiga namorada, Jenny (Jennifer Garner), a única com quem realmente se envolveu. A única que conseguiu mexer com seu coração. À noite, Conor recebe a visita do fantasma do tio Wayne (Michael Douglas), um playboy dos anos 70. Ele informa ao sobrinho que naquela noite receberá a visita de três fantasmas de suas ex-namoradas.
Elas os levarão a uma viagem reveladora e engraçada, mostrando a ele as falhas de seus relacionamentos passados, que o levarão a entender o valor do amor verdadeiro.
Será queMead será sempre ummulherengo ou ainda existe esperança de um cara como ele viver uma história de amor? A direção do filme fica a cargo de Mark Waters, que já havia utilizado a linha do sobrenatural em E se Fosse Verdade, com Reese Witherspoon. Os produtores são Jon Shestack e Brad Epstein, que recentemente assinaram a produção de Eu, Meu Irmão e Nossa Namorada.

Killshot - Tiro Certo estréia dia 22 de maio nos Cinemas Brasileiros





Gênero: Ação
País: EUA
Ano: 2009
Distribuidora: PlayArte
FICHA ARTÍSTICA
Carmen Colson . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .DIANE LANE
Armand Blackbird Degas . . . . . . . . . . . . . . . . . .MICKEY ROURKE
Wayne Colson . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .THOMAS JANE
FICHA TÉCNICA
Diretor . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .JOHN MADDEN
Roteiristas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .HOSSEIN AMINI
Baseado no livro de . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .ELMORE LEONARD
Produtores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .RICHARD GLADSTEIN,
Produtores . . . . . . .QUENTIN TARANTINO, LAWRENCE BENDER
2008 - EUA - 100 min. - SCOPE - DOLBY / SR / SRD / SDDS / DTS
Dois Assassinos. Duas Testemunhas. Um Tiro Fatal.
O indicado ao Oscar Mickey Rourke e Diane Lane estrelam este emocionante filme de ação, produzido por Quentin Tarantino. A direção fica a cargo de John Madden, conhecido por seu trabalho em Shakespeare Apaixonado, que lhe rendeu diversos prêmios.
Killshot - Tiro Certo é adaptado do best seller de Elmore Leonard, responsável também pelas obras que basearam grandes sucessos do cinema como Be Cool - O Outro Nome do Jogo, Jackie
Brown e Irresistível Paixão, de Steven Soderbergh com George Clooney.
A trama gira em torno de um casal inocente que acaba se envolvendo com uma fraude. Ritchie (Joseph Gordon-Levitt), um caloteiro barato, e Blackbird (Mickey Rourke), um matador da máfia, armaram um esquema para estorquir US$20,000.00 de um corretor imobiliário local.
A armação dos dois é acidentalmente descoberta por Carmen Colson (Diane Lane) e seu marido Wayne (Thomas Jane), que acabam se transformando no principal alvo dos matadores. Por isso,
são obrigados a ingressar no Programa Federal de Proteção às Testemunhas.
Mas, isso não é impeditivo para um homem como Blackbird. Quando precisa terminar um serviço, ele vai até o fim, até as últimas consequências Enquanto estão à procura do casal, Blackbird e Ritchie se hospedam na casa de Donna, (Rosario Dawson), uma excozinheira de cadeia, que ainda tem um certo fascínio e atração pelo crime.
Portanto, se torna uma aliada na caçada. Para piorar ainda mais a situação de Carmem e Wayne, eles são colocados sob a supervisão do desonesto delegado de polícia, Ferris Britton (Johnny Knoxville), que pode não dar a eles toda a proteção que realmente precisam. No fim das contas, tudo se resume a uma esposa, um marido, dois matadores... e um tiro certo.

"O Gabinete do Doutor Caligari – A chegada do expressionismo na Alemanha" por Tiago Bacelar

Escritos & esparsos da disciplina Cinema Mundial 1. Bacharelado em Cinema - UFPE

Os primeiros longas-metragens alemães foram baseados em livros literários, por isso, eram considerados como artísticos. Eles surgiram no começo dos anos 10 e teve como auge a adaptação em 1913, da obra O Estudante de Praga, de Edgar Allen Poe, dirigida por Stellan Centeio, com fotografia de Guido Seeber e interpretado pelos atores da companhia de Max Reinhardt.
Apesar disso, antes de 1914, muitos filmes estrangeiros foram importados. Como estávamos na era do cinema mudo, não havia barreiras com outras línguas e nesse período as produções dinamarquesas e italianas eram particularmente populares na Alemanha. O desejo do público de assistir filmes com determinados atores fez surgir as primeiras estrelas do cinema alemão. Uma das atrizes pioneiras foi Henny Porten.
A maneira que o cinema foi se popularizando, os alemães começaram a se interessar especialmente por histórias de mistério, característica marcante da grande maioria dos filmes expressionistas, os quais surgiriam no final dos anos 10 com O Gabinete do Doutor Caligari. A chegada da Primeira Guerra Mundial espalhou a destruição na Europa e o boicote na Alemanha a filmes estrangeiros, especialmente os franceses. Esse movimento deixou uma abertura visível no mercado.
Em 1916, existiam cerca de duas mil vagas disponíveis para seleção e posterior atuação em filmes alemães. Em meio a essa carência em termos de produção cinematográfica, começou em 1917, um processo da concentração e a nacionalização parcial da indústria alemã, e em meio a isso surgiu a UFA, inicialmente com a finalidade de produzir filmes propagandistas e de guerra.
Apesar disso, o público alemão não se importou em engolir a medicina patriótica em o açúcar de filmes de entretenimento, produzidos também pela UFA. A proposta deu certo e a UFA levou a indústria cinematográfica na época a maior de toda a Europa, destroçada pelos horrores da Primeira Guerra Mundial.
Assim, levadas pelas estratégias da UFA, a Alemanha viveu no período de 1918 a 1933 o cinema na República de Weimar. No período imediatamente depois da guerra, os filmes serviram como escape da população aos trágicos cenários de destruição vividos pela Alemanha. O crescimento da indústria cinematográfica alemã nesse período foi ajudado pelos altos índices de inflação no final dos anos 10 e início dos anos 20. Os produtores de filmes tiveram que pedir dinheiro em notas promissórias, bastante desvalorizadas na época, e foram depois forçados a pedir reembolsos pelos prejuízos causados com a produção delas.
Não bastasse os apertados orçamentos de produção, a necessidade de juntar dinheiro foi um fator importante para à ascensão do Expressionismo, pelo desejo de todos de mover para frente o cinema alemão e levar um futuro diferente da destruição que varreu a maioria de Europa naquele tempo. Os filmes do Expressionismo confiaram pesadamente no simbolismo e na imagem artística, deixando de lado o realismo da vida real, para contar as suas histórias. Em plena época dos filmes mudos, o mundo já conhecia nomes como os irmãos Lumiere, Griffith e Orson Welles e movimentos como a Escola Clássica Americana e o cinema soviético de Sergei Eisenstein.
Após passar por seus primeiros momentos, o cinema descobre as técnicas de estúdio, os segredos do uso da câmera e uma nova possibilidade de interpretação dos atores, carregados de maquiagem e dramaticidade em cena. Tudo isso começou a nascer na Alemanha, destroçada pela Primeira Guerra Mundial, com um movimento que mexeu com diversas áreas culturais chamado de Expressionismo.
A emergência do cinema alemão após a I Guerra Mundial foi marcada por outro filme, o Gabinete do Doutor Caligari. Macabro, sinistro e mórbido eram os adjetivos preferidos para descrever os filmes alemães. Um das principais virtudes dos diretores dessas produções foi o domínio por completo do estúdio. Uma disciplina coletiva das equipes de produção foi fundamental para a unidade da narrativa como também a perfeita integração de luzes, cenários e atores.
Durante a República de Weimar e durante a Segunda Guerra Mundial, a UFA foi a casa da indústria cinematográfica alemã no período de 1917 a 1945. Esta companhia nasceu, numa união da Decla e Nordisk, em 18 de dezembro de 1917, em Berlim, como um órgão ligado ao governo para produzir filmes propagandistas durante a Primeira Guerra Mundial. O proprietário da Decla, Erich Pommer, virou produtor do primeiro filme de sucesso comercial da UFA, o Gabinete do Doutor Caligari.
Com o sucesso desta produção, a UFA abriu em 1920 o UFA-Palast am Zoo Theatre, em Berlim. Nos anos do cinema mudo, quando os filmes eram facilmente adaptados para outros países, a UFA conseguiu desenvolver uma reputação internacional a altura de competir com os filmes de Hollywood. Fez grandes produções como Metropolis e Doutor Mabuse, de Fritz Lang, e O Anjo Azul, com Marlene Dietrich. Além dos filmes comerciais, a UFA aderiu ao experimentalismo das ruas do avant-garde e do bergfilm, este último um gênero genuinamente alemão que glorificava e romantizava histórias de escaladas de montanhas, de esquiagens em épocas de neve e muitas cenas de ação com avalanches de neve.
Antes da guerra, o caminho em direção à formação estética do cinema alemão estava sendo apoiado pelo expressionismo na literatura e nas artes pelos pintores das obras The Bridge, em Dresden, Blue Rider em Munique, e Metropolis de George Grosz em Berlim. O expressionismo na arte e na literatura foi seguido pelo teatro e pela arquitetura, que no início se restringia apenas a desenhos.
E em seguida veio o cinema. Metropolis foi o último filme expressionista e Caligari o primeiro. O Gabinete do Doutor Caligari é acima de tudo, resultado dos pintores Hermann Warm, Walter Reinmann e Walter Röhrig, dos escritores Carl Mayer e Hans Janowitz e dos atores Werner Krauss e Conrad Veidt.
A história de um jovem sonâmbulo (Conrad Veidt) utilizado para cometer assassinatos a mando de outra pessoa refletia o envio então recente de soldados às trincheiras da Primeira Guerra por autoridades militares. No filme, Wiene retrata o sentimento de dor e descrença da sociedade alemã por meio uma metáfora eficiente, lúgubre e cujo significado permanece até os dias de hoje.
Em seu livro From Caligari to Hitler, o autor Siegfried Kracauer aponta que:
"Caligari não deixa de ser um tirano enlouquecido pelo poder apenas porque é visto como tal por um insano. A criação desta atmosfera de pesadelo jamais teria sido possível, contudo, sem o suporte decisivo de uma bem resolvida concepção estética expressionista. Em Caligari, a cenografia expressionista conseguiu evocar a fisionomia latente de uma pequena aldeia medieval, com ruelas tortuosas e escuras, passagens estreitas espremidas entre casas arruinadas. Essas imagens expressionistas representam uma construção mental que nega a realidade objetiva. A visão de perspectivas falseadas e imprevisíveis, de formas distorcidas, e a consciente intenção de evitar linhas verticais e horizontais, despertam no espectador os sentimentos de insegurança, inquietação e desconforto. Os figurinos usados pelos atores, os móveis e os demais objetos cênicos se incorporam fielmente a esta concepção."
Nascido em 24 de abril de 1873, em Breslau, na Alemanha, Robert Wiene, antes de chegar ao cinema em 1914, foi ator e diretor teatral da companhia Berlin Theater. Sua filmografia antes de 1919 pode ser desprezada sem remorsos, incluindo os filmes que dirigiu o grande ator Emmil Jannings. Em 1919 se tornaria então uma referência que mudaria o rumo do cinema no que se diz respeito à concepção visual, interpretação e ao gênero fantástico.
O Gabinete do Doutor Caligari foi uma espécie de anti-manifesto do expressionismo alemão. Em 1924, Robert Wiene produziu As Mãos de Orlac. Quando veio o nazismo, ficou até com intenção de dirigir e escrever na Alemanha, mas a causa da sua glória com o Gabinete do Doutor Caligari, foi também a causa dos seus males. O filme cheirava tanto a judeu que Hitler e seus comandados passaram a persegui-lo.
Acabou sendo obrigado a se exilar em Paris, onde morreu em 17 de julho de 1938. Não terminou seu último filme, Ultimatum, finalizado por Robert Siodmark 10 dias depois de sua morte de câncer. Mesmo sendo considerado por muitos críticos como um cineasta de segunda categoria, Robert Wiene ficou imortalizado por ter criado um dos filmes mais influentes da história do cinema.
Em O Gabinete do Doutor Caligari, Robet Wiene pintou um retrato na tela do cinema com os jogos selvagens, não realísticos construídos com geometria exagerada, imagens pintadas nos assoalhos e nas paredes para representar objetos, especialmente luz e sombra, e uma história que envolve as alucinações de um homem insano. Outros trabalhos notáveis do Expressionismo são Nosferatu de Friedrich Wilhelm Murnau (1922) e o Golem de Paul Wegener.
Essa inovação extraordinária, em termos de interpretação dos atores, pode ser vista com muito mais força no Gabinete do Doutor Caligari, como atesta Antunes Filho, produtor teatral brasileiro, num ensaio produzido especialmente para o DVD O Gabinete do Doutor Caligari lançado no Brasil pela Continental Home Vídeo para a coleção de filmes chamada de Expressionismo Alemão.
"Este filme de Robert Wiene influenciou o mundo inteiro, estimulando continuamente não somente o trabalho do teatro como também do ator. Perspectivas distorcidas, formas ambíguas, ângulos irregulares, traços fortes e uma consciente fuga das soluções verticais e horizontais simplistas. Ele reflete perfeitamente o universo polifônico expressivo que tanto incentivamos nos exercícios que desenvolvemos para o ator. Fenômeno único na história do cinema, Caligari transfere para a interpretação dos atores o bizarro e o árido da música, pintura, literatura e arquitetura expressionistas. Finalmente, há o alívio da ultrapassada obsessão pela recriação da realidade. Os atores podem então jogar também com os contrastes entre luz e sombra, animus e anima, consciente e inconsciente, yin e yang, ou seja, há pela primeira vez uma possibilidade dinâmica de interpretação, em contínuo movimento. A fusão entre o movimento ralentado, quase se projetando pelas paredes, de Conrad Veidt (sonâmbulo Cesare) e os passos curtos, agudos, reforçados pelo uso da bengala na agitação de Werner Krauss (Doutor Caligari). Tudo isso proporcionando fábulas fantásticas e macabras com um ponto de vista inovado e psicologicamente mórbido."
A interpretação dos atores foi essencial para tornar o Gabinete do Doutor Caligari um filme marcante, que influenciou toda uma série de produções em anos posteriores. E nesse filme, não se pode deixar de falar dos atores Conrad Veidt e Werner Krauss. O primeiro deles nasceu em 1893, em Postdam, na Alemanha, e começou sua carreira, estudando com Max Reinhardt, em Berlim, para logo brilhar nos palcos na companhia de outros grandes atores de formação teatral, como Werner Krauss, conhecido pelo papel do Doutor Caligari, e Emil Jannings.
Seu tipo físico de altura elevada e elegante ajudou-o a reforçar a personagem quase vinda de um pesadelo, um sonâmbulo de movimentos lentos e prolongados, comandados pela consciência perversa de Caligari. “Acorde, Cesare! Eu, Caligari, seu mestre, te ordeno!”. Foi com essa frase que Caligari o despertava do seu sonambulismo. Carregado de maquiagem, Veidt protagonizou no filme um show dos horrores, cheio de suspense e terror se assemelhando, no seu despertar, ao clássico Frankenstein, produzido depois de Caligari.
A partir de O Gabinete do Doutor Caligari, Veidt passou a aceitar personagens da mesma tipologia e biótipo do seu Cesare. Conrad Veidt trabalhou também na Itália e, depois na América. Voltou para a Alemanha, onde ficou até 1930 e, em seguida, mudou para a Inglaterra, onde fez papéis que estereotipavam seus personagens mais sinistros feitos na Alemanha. Quando veio a Segunda Guerra Mundial, Veidt foi para Hollywood fazer papéis nazistas em diversos filmes e participou como o Major Heinrich Strasser no clássico da Escola Americana, Casablanca.
Morreu em 1943. Conrad Veidt veio de uma expressão talvez única e inimitável. Depois de tantas interpretações assombrosas, só podemos comparar seus personagens aos nossos piores pesadelos. Werner Krauss nasceu em Gestungshausen, Alemanha, e encontrou um lugar de destaque nos palcos de Berlim, nos meados dos anos 10. Sua vocação para encarnar papéis adequados ao espírito artístico alemão, trazido pelo expressionismo, o levou a fazer parte de um grupo que se alastrava pela pintura, música e cinema. Krauss estava encorajado a romper com o passado medíocre do cinema alemão e criar algo de novo e de vanguarda.
Krauss deu a seu Caligari um ar de mistério e peculiaridade com seus passados pausados, ajudados brilhantemente pela forma como usou uma simples bengala, seus olhos arregalados e por suas expressões corporais e faciais, prontas para praticar sua maldade, através do seu fiel soldado, o sonâmbulo Cesare. Werner Krauss permaneceu na Alemanha de Hitler, enquanto os grandes autores de sua geração se exilavam para assumir os principais papéis dos filmes nazistas.
A cumplicidade entre seus sádicos personagens do cinema expressionista com a sua carreira cooptada pelo Terceiro Reich, o colocou como um Fausto real em toda a dimensão alemã da personagem. Não podemos esquecer é claro das presenças, pequenas é verdade, mas não menos importantes de Lil Dagover no papel da garota Jane, a última vítima de Cesare no filme, de Hans Feher, como Alan, o primeiro a receber a previsão macabra do sonâmbulo, e Hans Twardowsky, interpretando Francis, o amigo de Alan.
O filme narra os acontecimentos de um misterioso reaparecimento moderno de um conto, envolvendo a estranha e misteriosa influência de um monge das montanhas sobre um sonâmbulo.
O filme basicamente conta com uma intercalação de planos entre o cenário, onde um jovem conta a um senhor a história da aparição numa feira itinerante do monge (Doutor Caligari) e o sonâmbulo Cesare e no outro a narração ganha corpo e alma. Nessas mudanças de planos, é curioso ver os efeitos com a câmera, abrindo e fechando o foco e a abertura do equipamento, mudando a toda hora o campo de visão do espectador. Todo esse truque de edição traz expectativa para quem assiste e uma sensação estranha de assombro, trevas e curiosidade de saber o que vai acontecer naquela cidade medonha chamada Holstenwall.
Os cenários da cidade foram construídos aos moldes de pinturas expressionistas e cubistas, recheados de casas e paisagens sombrias e tortuosas montadas como se estivessem em cima uma das outras, ressaltando o caos do local em que o filme de Wiene se passa. O Gabinete do Doutor Caligari é marcado também por closes e enquadramentos fechados em personagens carregados de maquiagem, emoções a flor da pele e interpretação exagerada e emotiva dos atores.
Além disso, existe a presença interessante de vários planos e ações diferentes acontecendo no mesmo quadro, em enquadramento aberto. Há uma troca freqüente de planos. Apesar dessas inovações que alcançariam seu auge com Fritz Lang em Metropolis, como o domínio da câmera e do estúdio, que começa a ser notado em O Gabinete do Doutor Caligari, ainda é notável neste filme de Wiene a presença e o posicionamento frontal da câmera.
Técnica primária e lembra de imediato a usada pelos irmãos Lumiere no início do cinema. Tomadas feitas através do vidro da janela para mostrar Caligari em seu recinto foi um prelúdio do que seria utilizado mais tarde com mais requinte, ousadia e movimento de câmera em Cidadão Kane de Orson Welles e outros filmes da Escola Clássica Americana.
A presença de sombras na escuridão, principalmente nas cenas dos crimes cometidos por Cesare, usadas em Caligari com sutileza, foi uma inovação que seria aperfeiçoada anos mais tarde nos filmes de suspense de Hitchcock. Pelas inovações que trouxe em seu Gabinete do Doutor Caligari, Robert Wiene deixou para a história um filme marcante, que mesmo com as limitações na época de sua produção, deixou abertos caminhos para o crescimento da hoje gigantesca indústria cinematográfica. E pela estética criada gerou influências no próprio cinema expressionista alemão, em outras escolas cinematográficas e em produções de culturas totalmente diferentes como é o caso dos mangás.

"O Falcão Maltês e Noir - os Olhos do Cinema Expressionista nos Estados Unidos" por Tiago Bacelar


Escritos & esparsos da disciplina Cinema Mundial 1. Bacharelado em Cinema - UFPE

O movimento expressionista morreu no final dos anos 20, mas continuou a influenciar o cinema do mundo nas décadas seguintes. Sua influência estética mais marcante foi nos filmes de horror de Hollywood e no movimento noir, além é claro de ter sido fincado nos trabalhos de renomados diretores como John Huston, de O Falcão Maltês, produzido em 1941, inspirado no romance de Dashiell Hammett, com Humphrey Bogart (Sam Spade) e Mary Astor (Brigid O`Shaughnessy).
O cinema noir é derivado primeiramente dos crimes violentos cometidos durante a Era da Depressão Americana. É importante ressaltar que muitas das novelas, romances e histórias de crime da época viraram inspiração por parte dos produtores do cinema noir.
Esse movimento foi marcado por produções em preto e branco, sombrias, e claramente inspiradas no cinema expressionista alemão, devido a fato de grande parte da produção (atores, diretores como Fritz Lang, Billy Wilder e Robert Siodmak, figurinistas, dentre outros) desses filmes ter se mudado para os Estados Unidos, por causa do Nazismo de Adolf Hitler. Eles trouxeram técnicas desenvolvidas por eles na Alemanha, principalmente a dramaticidade e a subjetividade do ponto de vista psicológico. Tanto os heróis como os vilões dos filmes noir, eram cínicos, desiludidos e, freqüentemente, solitários e inseguros, fortemente ligados ao passado e indiferentes quanto ao futuro.
Os personagens dos filmes noir têm uma característica caricatural, aonde encontramos nas histórias, detetives durões, mulheres fatais, policiais corruptos, maridos ciumentos e agentes de seguro. A ação se passa normalmente em Los Angeles, Nova Iorque ou São Francisco e a moral dos filmes noir tende sempre a serem decisões pretas no branco, ambíguas e relativas, melhor que simples. Os personagens possuem um valor moral absoluto, aderindo ao provérbio de que os fins justificam os meios.
A grande maioria desses filmes prima pela presença de múltiplos flashbacks com narração em off, e fotografia dramática em preto e branco com tons escuros e sombrios. Em termos de estilo e técnica, o filme noir caracteristicamente abusa de cenas noturnas, internas e externas, com cenários que sugerem realismo e com uma iluminação que enfatiza as sombras e acentua o clima de fatalidade. O termo francês cinema noir (filme sombrio) foi aplicado pela primeira vez para os filmes de Hollywood pelo crítico Nino Frank em 1946.
Pode parecer incrível, mas muitos atores e diretores americanos na época não sabiam que estavam criando algo diferente. Isso só seria notado décadas depois por historiadores de cinema e críticos americanos. O cinema noir é o resultado de combinações de gêneros e estilos, com origens na pintura e na literatura. De acordo com James Monaco do site American Film Now, “o cinema noir não é um gênero, e sim um estilo visual. Não aceito quando outros críticos colocam o cinema noir como um modo de produção ou um círculo”.
Nos Estados Unidos, os filmes noir pincelaram diversos elementos narrativos das histórias de detetive e de crimes, criadas pelos escritores Dashiell Hammett, Raymond Chandler e James M. Cain, e popularizadas em revistas como a Black Mask. O Grande Sono e Assassine meu Amado de Chandler e O Falcão Maltês de Hammett são notáveis filmes noir. Apesar de não ser considerado um filme noir, Cidadão Kane, produzido em 1941 por Orson Welles, carrega em sua essência, no desenvolvimento, muitos elementos desse estilo, particularmente no visual de algumas seqüências e na complexa estrutura narrativa dirigida pela voz de um narrador.
O cinema noir teve como ícones os atores Robert Mitchum e Humphrey Bogart. Muitos historiadores colocam as décadas de 40 e 50 como o período clássico do cinema noir, sendo o filme Estranho no Terceiro Andar, de 1940, o pioneiro, e A Marca da Maldade, produzido por Orson Welles em 1958, como o último. Muitos diretores se destacaram no cinema noir como: Nicholas Ray, Robert Siodmak, Jules Dassin, Edward Dmytryk, John Farrow, Samuel Fuller, Henry Hathaway, Alfred Hitchcock, Ingmar Bergman, Phil Karlson, Fritz Lang, Joseph H. Lewis, Billy Wilder, e Robert Wise.
Para Andrew Dickos, autor do livro The Street with no Name: a History of the Classic American Film Noir:
"O cinema noir ainda não recebeu um reconhecimento por parte da comunidade crítica e por isso tem dificuldades de ser classificado de forma definitiva. É complicado referir o cinema noir como um ciclo de filmes que acabou se destruindo por si mesmos. Eu colocaria o noir como um período, onde foram produzidos filmes com histórias situadas no período pós-depressão com cenários essencialmente urbanos."
Os filmes noir tendem a usar sombras dramáticas, contrastes sombrios, iluminação baixa, e película em preto e branco, tipicamente tendo por resultado uma relação de 10:1 da escuridão à luz, melhor que à relação mais típica de 3:1. As sombras dramáticas dão molde à fisionomia do ator ou da atriz, como se eles estivem olhando para fora de uma janela, um visual típico dos filmes noir e que hoje é um clichê usado por diversas produções.
O cinema noir prima também pelo uso de lentes com ângulos largos para aumentar o efeito da cena filmada. Outros dispositivos usados pelo cinema noir para confundir o espectador são o uso de espelhos múltiplos e de tiros que saem através do vidro. O crime, geralmente assassinato, é um elemento da maioria dos filmes noir, cometido freqüentemente pelo ciúme, pela corrupção e pela fraqueza moral. A influência do Cinema Expressionista Alemão ajudou o noir a entrar para história do cinema como um estilo marcante, sombrio e assustador.