O antigo pavilhão Zeca Mauro do Centro Técnico Audiovisual (CTAv) foi demolido para dar lugar a um prédio especialmente projetado para guarda de filmes de acordo com padrões internacionais de qualidade. As obras já começaram, e a inauguração está prevista para maio de 2010. Serão sete salas-cofre climatizadas para a preservação dos filmes, com temperatura estável em torno de 10 graus e umidade relativa de cerca de 35%. O projeto foi viabilizado graças à parceria com a Fundação Ormeo Junqueira Botelho e ao patrocínio da Petrobras. Mais detalhes no site do CTAv.
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
Ana Flora Camargo vai para a Mixer
Com o objetivo de reorganizar sua área de captação, a produtora Mixer acaba de anunciar a contratação de Ana Flora Camargo, ex-Sony/Buena Vista International, que assume a função de gerente de captação.
FICI promove fórum sobre cinema infantil
Em sua sétima edição, o Festival Internacional de Cinema Infantil (FICI) promoverá pela primeira fez o fórum Pensar a Infância, que discutirá temas referentes à produção cinematográfica infantil no mundo. O evento, que se realiza de 2 a 4 de setembro no Instituto Moreira Salles, no Rio, receberá diversos participantes para mesas que abordarão assuntos como os gêneros e as narrativas ligadas ao cinema infantil, estratégias de distribuição de conteúdo e políticas de produção para este tipo de cinema dentro do contexto da produção brasileira. Na parte da programação do festival, o FICI, que acontece anualmente desde 2003 na rede Cinemark, exibirá produções infantis ao longo de todos os fins de semana de setembro nas cidades do Rio de Janeiro, São Paulo, Campinas, Belo Horizonte, Brasília, Salvador e Aracaju. Mais informações no site do festival: www.festivaldecinemainfantil.com.br.
Começa campanha de Quanto dura o amor
A produtora Coração da Selva e a distribuidora Pandora Filmes deram partida à campanha de Quanto dura o amor, novo filme de Roberto Moreira (Contra todos), que tem estreia marcada para 9 de outubro em São Paulo e no Rio. Lançado na internet com exclusividade pelo site UOL, no dia 26 de agosto, o trailer do filme foi alvo de 25 mil acessos, e o clipe em que a cantora e atriz Danni Carlos interpreta High and Dry, do grupo Radiohead, teve 40 mil acessos.
Praça Saens Peña encerra festival na Austrália
Praça Saens Peña, de Vinícius Reis, foi escolhido para encerrar o Festival de Cinema Latino-americano de Sidney, que se realiza entre 2 e 13 de setembro na cidade australiana. A distribuição será realizada em parceria entre a MovieMobz e a Riofilme, com estreia prevista para 27 de novembro. Mais informações no site do festival.
Filme sobre Gregório Bezerra entra em produção
Começam em setembro as filmagens de História de um valente, longa-metragem baseado na vida do líder comunista Gregório Bezerra. Gregório foi um dos 14 presos políticos trocados pelo então embaixador norte-americano no Brasil, Charles Burke Elbrick. O filme será dirigido por Cláudio Barroso e terá Jackson Antunes no papel principal. Também estão confirmados no elenco Nelson Xavier, Hermila Guedes e Edmilson Barros. A produção está orçada em R$ 3,5 milhões e contará com locações no Recife e no interior pernambucano.
Professor de escola de cinema de NY dá palestra no Rio
Dan Mackler e Adam Nimoy, representantes da New York Film Academy, estarão no Rio na próxima sexta-feira, 4 de setembro, a convite do Student Travel Bureau (STB). Mackler fará duas palestras abertas ao público sobre a indústria cinematográfica e suas possibilidades de trabalho, uma na Faculdade de Cinema da Universidade Federal Fluminense (UFF), às 11h30, e outra na Universidade Estácio de Sá (Campus Rebouças), às 19h.
Documentário Rainhas será exibido em Zurique
O documentário Rainhas, produzido por Daniel van Hoogstraten (coordenador do RioMarket do Festival do Rio), foi selecionado para a mostra competitiva de documentários do Zurich Film Festival, que acontece no fim de setembro, na Suíça. Com direção de Fernanda Tornaghi e Ricardo Bruno – que estarão presentes no festival – o filme conta a história de Fábio, um rapaz de Rondônia que tem o sonho de ser Miss Brasil gay.
Riofilme anuncia planos até 2012
Em uma cerimônia realizada na terça-feira passada, 25 de agosto, no Palácio da Cidade, com a presença de dezenas de autoridades e profissionais do setor audiovisual, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, e o diretor-presidente da Riofilme, Sérgio Sá Leitão, anunciaram os planos da empresa para os próximos anos e assinaram um contrato de gestão, em que foram estabelecidas metas a serem cumpridas até 2012. O aporte da prefeitura na Riofilme será de R$ 6,5 milhões ainda este ano e de R$ 23,3 milhões em 2010. Até 2012, se forem contabilizados recursos da prefeitura, recursos próprios e recursos alavancados de terceiros, o investimento total da Riofilme no audiovisual será de R$ 79,1 milhões. Outro anúncio importante foi que a prefeitura voltará a ser o principal patrocinador do Festival do Rio, com um aporte total de R$ 2 milhões. Em seguida, foi assinado um acordo de resultados que, segundo o secretário municipal da Casa Civil, Pedro Paulo Teixeira, está sendo estabelecido com todos os órgãos de administração direta e indireta da prefeitura.
A redenção de um derrotado no Vietnã Por Tiago Bacelar







Há 33 anos, os Estados Unidos ainda estavam se recuperando da derrota no Vietnã e da renúncia do presidente Richard Nixon em meio ao escândalo Watergate. O Rei do Rock Elvis Presley estava afundado na drogas em plena decadência e morreria um ano após o lançamento do filme Taxi Driver, em 1976, de Martin Scorcese. É neste contexto que encontramos Travis, um veterano da Guerra do Vietnã e motorista de Táxi nas ruas noturnas de Nova York.
A interpretação de Robert De Niro como Travis é marcada pelo método de Stanislaviski, em que o ator, antes do filme ter suas filmagens iniciadas, encarna por meses a profissão do personagem para que fique o mais próximo possível da realidade. Partindo desse aspecto, fica evidente em Taxi Driver o direcionamento do roteiro de Paul Schrader para a construção de uma história vista sob o olhar do personagem de Robert De Niro.
Essa marca do roteiro é vista logo de cara pelo espectador nos créditos iniciais, aonde os nomes da equipe de produção surgem sobre um super close nos olhos do taxista Travis. Além disso, Robert De Niro, durante o filme, narra em OFF, revelando ao público detalhes sobre seus pensamentos, suas angústias e seus sentimentos. A montagem em conjunto com a direção de câmera realça o olhar de Travis para a decadente e conturbada cidade de Nova York.
Esse olhar é criado com metáforas visuais e planos detalhes, muitos deles distorcidos e embaçados, de faróis de carros, de luzes de semáforos, de gases borbulhando num copo de refrigerante, do taxímetro e do próprio táxi. O espectador forma sua visão naquele mundo diegético dos anos de 1970 de Nova York por uma câmera subjetiva do taxista, através do pára-brisa do Táxi. O espectador vê o que o está sendo visto pelos olhos de Robert De Niro.
Quando vemos De Niro e seu táxi, só eles aparecem, todo o redor, fica distorcido. Ele está numa espécie de mundo paralelo, em que só existe a solidão e nada mais. A aparição de Martin Scorcese como o psicopata que vai matar a mulher no táxi de Robert De Niro marca a reviravolta da história de Taxi Driver. Scorcese usou um artifício muito utilizado por Hitchcock que aparecia em todos os seus filmes, incluindo Psicose, cujo Score (Trilha Sonora) foi composto por Bernard Hermann, o mesmo de Taxi Driver.
Dentre essas coincidências entre Scorcese e Hitchcock, está o uso da música como instrumento da construção da trama cinematográfica. Na primeira parte de Taxi Driver, a melancolia do protagonista é mostrada por instrumentos de sopro, como o saxofone, em ritmos de Blues e Jazz, típicos do subúrbio nova-iorquino dos anos 1970. Com o despertar da fúria e da revolta do protagonista, a trilha muda para instrumentos mais pesados, como os de percussão, juntamente com o figurino e o cabelo para um estilo punk. Ao matar os bandidos que mantinham a personagem de Jodie Foster, Iris, na prostituição, Scorcese deu redenção para o taxista, que de derrotado no Vietnã, passou a ser aceito pelos americanos como herói.
A interpretação de Robert De Niro como Travis é marcada pelo método de Stanislaviski, em que o ator, antes do filme ter suas filmagens iniciadas, encarna por meses a profissão do personagem para que fique o mais próximo possível da realidade. Partindo desse aspecto, fica evidente em Taxi Driver o direcionamento do roteiro de Paul Schrader para a construção de uma história vista sob o olhar do personagem de Robert De Niro.
Essa marca do roteiro é vista logo de cara pelo espectador nos créditos iniciais, aonde os nomes da equipe de produção surgem sobre um super close nos olhos do taxista Travis. Além disso, Robert De Niro, durante o filme, narra em OFF, revelando ao público detalhes sobre seus pensamentos, suas angústias e seus sentimentos. A montagem em conjunto com a direção de câmera realça o olhar de Travis para a decadente e conturbada cidade de Nova York.
Esse olhar é criado com metáforas visuais e planos detalhes, muitos deles distorcidos e embaçados, de faróis de carros, de luzes de semáforos, de gases borbulhando num copo de refrigerante, do taxímetro e do próprio táxi. O espectador forma sua visão naquele mundo diegético dos anos de 1970 de Nova York por uma câmera subjetiva do taxista, através do pára-brisa do Táxi. O espectador vê o que o está sendo visto pelos olhos de Robert De Niro.
Quando vemos De Niro e seu táxi, só eles aparecem, todo o redor, fica distorcido. Ele está numa espécie de mundo paralelo, em que só existe a solidão e nada mais. A aparição de Martin Scorcese como o psicopata que vai matar a mulher no táxi de Robert De Niro marca a reviravolta da história de Taxi Driver. Scorcese usou um artifício muito utilizado por Hitchcock que aparecia em todos os seus filmes, incluindo Psicose, cujo Score (Trilha Sonora) foi composto por Bernard Hermann, o mesmo de Taxi Driver.
Dentre essas coincidências entre Scorcese e Hitchcock, está o uso da música como instrumento da construção da trama cinematográfica. Na primeira parte de Taxi Driver, a melancolia do protagonista é mostrada por instrumentos de sopro, como o saxofone, em ritmos de Blues e Jazz, típicos do subúrbio nova-iorquino dos anos 1970. Com o despertar da fúria e da revolta do protagonista, a trilha muda para instrumentos mais pesados, como os de percussão, juntamente com o figurino e o cabelo para um estilo punk. Ao matar os bandidos que mantinham a personagem de Jodie Foster, Iris, na prostituição, Scorcese deu redenção para o taxista, que de derrotado no Vietnã, passou a ser aceito pelos americanos como herói.
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