quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Cinema São Luiz reabre em noite concorrida






















Fonte: Fundarpe e Governo do Estado de Pernambuco 
Um dos mais antigos e emblemáticos cinemas do Recife e uma das últimas salas de projeção de rua remanescentes no Brasil, o Cinema São Luiz foi reaberto nesta segunda-feira (28/12), após três anos de inatividade. Nem mesmo uma queda de energia elétrica pouco antes da sessão de reinauguração causada por uma falha num dos disjuntores do prédio foi capaz de tirar o brilho da noite, digna de um Oscar. Do lado de fora, tapete vermelho, canhões de luz iluminando o Rio Capibaribe, manobristas, e uma fila imensa davam a exata importância da noite. Dentro, pipoqueiras antigas e vendedores de balas traziam o gosto de uma certeza: o São Luiz estava de volta.
De propriedade do Grupo Severiano Ribeiro, o prédio foi tombado pelo Governo do Estado em 2008 que, através da Fundarpe, assinou um termo de comodato para utilização do espaço por cinco anos. A reforma teve início há cinco meses e custou R$ 1,2 milhão. Todas as características originais do prédio, inaugurado em 1952, foram mantidas.
Anfitriões da noite, o governador Eduardo Campos, o secretário de Cultura, Ariano Suassuna, e a presidente da Fundarpe, Luciana Azevedo, formavam a plateia ao lado de atores, diretores e convidados que foram assistir o Baile Perfumado. “Todos nós temos uma história para contar do São Luiz”, afirmou o governador.
Entre os que guardam boas lembranças, o mestre Ariano. “Foi aqui que o Auto da Compadecida estreou suas duas primeiras versões cinematográficas. Quando a terceira versão, dirigida por Guel Arraes, foi lançada, o São Luiz estava fechado”, lamentou.
O longa-metragem pernambucano de Paulo Caldas e Lírio Ferreira estreou naquela mesma sala em 1997. “Esse filme é o marco da retomada da nossa produção cinematográfica. E nenhum outro filme seria mais apropriado para esse momento”, falou Eduardo, antes de sentar-se em uma das 992 cadeiras vermelhas do local. Aramis Trindade, o tenente Lindalvo Rosas da telona, foi o mestre de cerimônias da noite. Coube a ele anunciar o lançamento da segunda fase do Edital do Audiovisual do Funcultura, que destinará R$ 6 milhões para produções do gênero.
Por trás das telas, o resgate do São Luiz deu muito trabalho. Novas cadeiras foram fabricadas e colocadas (com direito a assentos para obesos e pessoas com deficiência). Os detalhes nas paredes de gesso desenhado – incluindo os vitrais que formam dois grandes jarros ao lado da tela de projeção – e também a pintura foram repaginados. O carpete foi trocado e os sistemas hidráulico, elétrico e de ar condicionado passaram por uma reforma total. Um novo sistema de som Dolby Analógico – com 29 caixas de som – e um projetor de filmes 35 mm também foram colocados.
Com foco na produção local e nacional, exibirá sessões comercias a partir do próximo dia 12 de janeiro com ingressos a R$ 2 e R$ 4. Em janeiro, passarão pela tela, além do próprio Baile Perfumado, diversos curtas-metragens pernambucanos e o filme “Lula, o Filho do Brasil”, de Fábio Barreto, com estréia marcada para o dia 15.
“Esse é um ato que tributo à resistência de tantos artistas pernambucanos que souberam resistir durante anos aos ‘enlatados’ e outras ‘ondas’ vivendo dentro da cultura popular brasileira. Pernambuco vive hoje um momento extraordinário na sua economia, mas vive também um momento mágico da sua cultura”, disse o governador.
CINE-ESCOLA – O São Luiz passa a ocupar também um importante papel dentro da política pública de cultura do Estado. A sala de exibição funcionará como cine-escola durante a semana nos períodos da manhã e da tarde. Também será um atrativo a mais na inserção do Recife nos circuitos internacionais de grandes mostras e festivais. “O São Luiz vai ter um papel muito importante na democratização da cultura, não com uma pauta comercial, mas com uma pauta cultural de Pernambuco e do Brasil”, explicou o governador. Além do São Luiz, o Governo do Estado já reabriu o Cine Guarany, em Triunfo, e prepara a reinauguração do Polytheama (Goiana) e do Apolo (Palmares).

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