sábado, 21 de fevereiro de 2009

Escola de mangá em Tóquio






















Fonte: http://madeinjapan.uol.com.br/2009/02/16/escola-de-manga/

A Made in Japan visitou a faculdade Tokyo Creators College, que forma alguns dos melhores profissionais de anime e mangá do Japão. Veja como funciona uma verdadeira escola japonesa de quadrinhos.

Com apenas 18 anos e recém-formado no ensino médio, Yuya Saitou saiu de Miyazaki (província localizada na ilha de Kyushu, a aproximadamente 800 km de Tokyo) e desembarcou na capital japonesa para correr atrás de um sonho comum a outros incontáveis jovens do arquipélago: tornar-se um mangaká, como são chamados os autores dos quadrinhos japoneses.
“Em qualquer sala de aula, de qualquer escola do país, você com certeza encontrará uma ou duas pessoas que sonham em ser um desenhista de mangás”, diz ele, que se dedicava de corpo e alma aos treinos de beisebol antes de ingressar na Tokyo Creators College, escola que possui um dos mais respeitados cursos especializados do país. “No fim, tudo conspirou para que eu optasse pelo desenho”, lembra.
A história de Yuya pode ser considerada padrão entre os alunos de uma escola de mangá. Para alguém que não tem idéia da importância das histórias em quadrinhos dentro da sociedade japonesa, porém, é simplesmente impensável a existência de uma sala de aula composta por até 150 pessoas, vindas de praticamente todos os cantos do país e que deixaram para trás família, amigos e cachorro, além de desembolsarem uma quantia considerável de dinheiro, para tentar se tornar um mangaká. E que fique claro: trata-se de uma profissão conhecida pelo alto nível de estresse e pressão.
Antes de considerar a qualidade do desenho, um bom mangaká é aquele que consegue lidar com a idéia de produzir mensalmente mais de 30 páginas de material. “Quando entrei era apenas mais uma daquelas pessoas que simplesmente gostavam de desenhar, mas somente aqui na escola é que comecei a compreender que se tratava de uma profissão que exige muita disciplina”, diz Yuya, que terminou o curso no primeiro semestre de 2007.
Ele leva aproximadamente sete horas para terminar cada página de seus mangás. Calma, isso não significa que a resistência física seja o principal requisito do profissional dos quadrinhos japoneses, mas se trata de um dos grandes fatores que determinam o sucesso de um autor dentro desse competitivo mercado. “Desenhar bem com certeza é a principal qualidade no mundo dos mangás, mas é importante deixar claro que muitos autores famosos não têm uma técnica incrível. Eles conquistam o leitor por meio de um roteiro interessante e pela maneira como constroem a página”, diz o professor Atsushi Inoue da Tokyo Creators College.
Além de mostrar ao aluno as responsabilidades de um profissional, a existência de um espaço onde todos compartilham um mesmo sonho, como nesse caso, acaba gerando um saudável clima de competição, como destaca Junko Kirita, 18 anos, aluna do primeiro ano do curso: “São muitas pessoas talentosas em um ambiente só e, com isso, acabo me dedicando mais para não ficar atrás.”
Essa ascensão das escolas de mangá é algo recente, e é o próprio professor Atsushi quem confirma isso. Quando era estudante, ele optou pela faculdade de cinema, justamente pela falta de opção, e também para auxiliar sua técnica de desenho e composição das cenas. “Na minha época existiam pouquíssimas instituições especializadas em mangá e não se tinha muita noção a respeito da qualidade dos cursos.”
Apesar da formalidade clássica presente em qualquer escola japonesa - como os cumprimentos coletivos aos orientadores e auxiliares –, o ambiente das salas de aula em geral é leve e descontraído.
Os alunos usufruem de ampla liberdade para realizar os exercícios passados a eles, sempre incentivados a aplicar seu próprio estilo nos trabalhos. “Não temos como objetivo enquadrar o aluno em um formato, muito pelo contrário. É interessante para nós que eles desenvolvam seu próprio traço”, diz o professor Atsushi, que nesse dia orientava, juntamente com uma equipe de assistentes, os mais de 100 alunos do primeiro ano do curso. “O engraçado é que, no fim, nós professores também acabamos aprendendo muito com os diferentes estilos e métodos criados por nossos alunos”.
Outro professor responsável por orientar os alunos é Takeshi Ebihara, autor conhecido pela obra “Maicching Machiko Teacher”(que ganhou versões para TV e cinema), que começou a carreira como assistente da dupla Fujiko Fujio, nada mais nada menos que criadores de Doraemon, um dos personagens mais importantes da história da cultura pop japonesa.
“Para alguém como eu, que chega diretamente do interior do Japão, foi inacreditável ser orientado por um mestre como o professor Ebihara, que participou ativamente da criação de algumas das obras mais importantes da história dos mangás”, exalta-se Yuya, que se prepara para ingressar na carreira profissional. Nas páginas ao lado, confira a visita à escola.
Parte da Nippon Engineering College, tradicional escola técnica que completou 60 anos em 2007, a Tokyo Creators College funciona em 2 grandes campus na capital japonesa, e os cursos de criação se dividem em 7 departamentos, que também são subdivididos internamente.
Por exemplo, os alunos de mangá e animação têm muitas aulas em comum, porém estudam em salas separadas desde o primeiro ano. A escola conta com o apoio de alguns dos mais importantes nomes do mercado japonês, como Makoto Tezuka (filho de Osamu Tezuka) – além de comandar o estúdio Tezuka Production, é conselheiro e orientador da instituição.
Outra grande figura ligada à Tokyo Creators College é Yoji Fukuyama, um dos autores mais respeitados no Japão e também em países da Europa. Ele atua como um orientador de luxo dos alunos do curso de mangá, que não poderiam esperar por melhores referências profissionais para ingressar em uma carreira.
O campus de Kamata - onde acontecem as principais aulas dos futuros mangakás - fica a poucos minutos da estação de trem de mesmo nome da linha Keihin Tohoku Line (sudeste de Tokyo) e os gigantescos prédios da instituição se destacam em meio às pequenas construções recortadas por estreitas ruas que formam os pontos de comércio da região, tomadas pelos estudantes na hora do almoço e nos horários de entrada e saída do curso.
A Tokyo Creators College já tem experiência com alunos estrangeiros em seus cursos, porém quase a totalidade destes estudantes vem de países vizinhos da Ásia, como a China e a Coréia do Sul, principalmente, onde a cultura dos mangás é muito forte, e alguns autores já arriscam lançar suas obras no Japão, obtendo relativo sucesso.
Segundo Kazuhiro Ohshima, diretor do departamento de intercâmbio da instituição, eles estão preparados para receber alunos de diferentes países, como o Brasil. Os alunos que não possuem fluência na língua japonesa podem optar por um curso paralelo conveniado com a instituição.
Além de toda orientação em relação ao idioma, os professores oferecem suporte às dúvidas que surgem no cotidiano de um estrangeiro no Japão. Existe um departamento especialmente voltado para alunos intercambistas, que oferece suporte aos interessados em cursar a Nippon Engineering College.
Quanto Custa
Quem não gostaria de estudar em uma escola especializada como essa? Afinal você pode optar pelo curso de mangá, animação, criação de jogos e muitas outras profissões que são o sonho de muitos jovens pelo mundo inteiro. O curso de mangá e animação sai por 775 mil ienes (12,9 mil reais) no primeiro ano na Unidade Kamata e 790 mil ienes (13,1 mil reais) no campus Hachioji.
No segundo ano, o custo cai para 560 mil ienes (9,3 mil reais) e 575 mil ienes (9,5 mil reais), respectivamente. Além disso, a faculdade oferece os cursos de cinema, designer, computação gráfica a custos semelhantes ao do curso de mangá. http://www.neec.ac.jp/cre/index.html
Professor simpatia
Atsushi Inoue, da Tokyo Creators College, defende a presença de alunos estrangeiros no curso de mangá
Os estrangeiros não apresentam grandes dificuldades de aprendizagem.Muito mais alto que a média dos japoneses, o jovem professor Atsushi Inoue, de apenas 34 anos, acaba se destacando em meio à sala de aula. Confira a entrevista exclusiva concedida à Made in Japan:
Made in Japan Como o senhor decidiu se tornar mangaká?
Atsushi Inoue Sempre soube que queria viver de desenho, mas não lembro exatamente quando percebi que seria um autor de mangás. Sei que já estava claro em minha mente quando entrei na faculdade.
MJ Você tem alunos estrangeiros? Eles têm dificuldade nas aulas?
Inoue Sim, temos alguns alunos estrangeiros. Fora as pequenas dificuldades em relação à língua japonesa, não noto qualquer diferença no processo de aprendizagem.
MJ O Japão está preparado para receber autores estrangeiros?
Inoue Sinceramente acho que seria um grande acontecimento. A presença de um autor com uma bagagem cultural diferente só enriqueceria esse mercado.

4 comentários:

Eamanuela disse...

Poxa vida!!!

A escola parece ser maravilhosa mais caramba é cara
Eu estou querendo ir para o Japão mais será que eu conseguiria ir trabalhar para pagar a faculdade?

Victória fernanada ralha ripardo disse...

respondendo a Eamanuela: eu já desenho mangá e estou louca para ir para a Tokyo Creators College, mas sabe oque eu vou fazer, eu vou primeiro estudar aqui no Brasil, vou fazer uma universidade de engenharia porque da dinheiro,ano que vem já vou começar o curso de japonês, vou guardar dinheiro para levar comigo. Só depois de tudo isso, que eu vou seguir meu sonho, porque eu quero ter realização pessoal e realização profissional.

Victória fernanada ralha ripardo disse...

Continuando oque eu estava dizendo, sabe porque eu vou fazer tudo isso antes? E porque ser mangaká e um trabalho instável que tem seus altos e baixos por isso e bom um outro trabalho que possa ser usado caso não se consiga encarreirar no mangá. Por isso eu quero ter um outro bom trabalho(no meu caso engenharia)para me sustentar se eu não conseguir no mangá.

Anônimo disse...

Parabéns pelo blogger. As postagens que aqui encontrei, são boas, no entanto, o layout e as cores da página não facilitam muito a vida do leito, mas fora isso seu blogger é muito informativo. 07/12/2013